CONGRESSO
Geopolítica Mundial
Ao mesmo tempo, há oportunidades. O reposi- cionamento das cadeias globais pode favorecer países com potencial produtivo relevante. “A crise atual pode estimular o crescimento da exploração e produção em novas regiões”, afirmou o presi- dente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).
petróleo. Projeções indicam trajetórias bastante distintas até 2050, variando de níveis bastante baixos a patamares elevados de consumo. Essa ampla margem revela o grau de indefinição que marca a transição energética. “A trajetória da demanda por petróleo ainda é incerta”, destacou Ardenghy, reforçando que o planejamento do setor precisa considerar múltiplos cenários. Apesar do avanço das energias renováveis, os combustíveis fósseis continuam sendo a principal fonte de energia no mundo. Ao mesmo tempo, a participação das fontes re- nováveis ainda é limitada no total do consumo global, o que mantém o petróleo e o gás como pilares da matriz energética nas próximas déca- das. Nesse contexto, Ardenghy destacou que o petróleo vai além da mobilidade, sendo insumo essencial para diversos produtos industriais. A crise no Oriente Médio também expõe a importância estratégica de rotas de escoamento, como o Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do petróleo mundial. Alterna- tivas logísticas ajudam a mitigar riscos, mas não eliminam a sensibilidade do mercado a eventuais interrupções. Para o Brasil, os efeitos são ambíguos. O país é exportador de petróleo, mas ainda depende de importações de derivados como diesel e gás natural liquefeito. “Os efeitos para o mercado e para a economia brasileira são variados diante dos choques de preços”, apontou Ardenghy, destacando a dualidade da posição brasileira no comércio internacional de energia.
A crise no Oriente Médio e os efeitos no Brasil
No cenário doméstico, o setor de óleo e gás tem forte peso econômico, com impacto significativo no PIB industrial e na oferta interna de energia. Além disso, o país se destaca como grande produtor de biocombustíveis, o que amplia sua resiliência diante de choques externos. Ardenghy também ressaltou a vantagem compe- titiva do petróleo brasileiro em um contexto de descarbonização. A produção nacional apresenta intensidade de carbono inferior à média global, o que pode favorecer sua inserção em mercados mais exigentes ambientalmente. Por fim, o executivo destacou que o momento exige equilíbrio entre segurança energética e transição. “A demanda global por petróleo e gás ainda deve permanecer relevante nas próximas décadas”, disse, ressaltando que o Brasil preci- sa aproveitar o momento para fortalecer sua posição como fornecedor competitivo e confiável de energia no cenário internacional.
Foto: Divulgação
ração ao abastecimento, frisando que não há segmento imune às pressões externas. “Toda a cadeia está afetada, desde a exploração e produção até o transporte, refino e abastecimen- to”, afirmou, ao chamar atenção para o efeito cascata provocado por choques de oferta e volatilidade de preços.
escalada das tensões no Oriente Médio tem provocado impactos diretos sobre o mercado global de energia, com
reflexos relevantes para o Brasil. A avaliação foi apresentada por Roberto Furian Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) , que abriu o segundo dia do evento.
O cenário é ainda mais complexo diante das incertezas sobre o futuro da demanda global de
Ele destacou como a instabilidade geopolítica afeta toda a cadeia de petróleo e gás, da explo-
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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