CONGRESSO
Uma perspectiva para o futuro
dentes”, destacou Carlos Mastrangelo.
Essa evolução também se reflete no crescimento do número de unidades ativas ao longo do tempo, acompanhando a expansão das operações em águas profun- das e ultraprofundas.
Esse aumento de complexidade trouxe ganhos operacionais, mas também elevou os riscos associados aos projetos. Na avalia- ção do executivo, a forma como a indústria lida com esses riscos é um dos principais pontos de atenção. “Risco postergado não é risco evitado — é risco multiplicado”, afirmou.
Complexidade crescente
A virada ocorreu na década de 1990, quando surgiram as primeiras diretrizes técnicas específicas para esse tipo de unidade, estabelecendo bases para sua adoção em larga escala. A partir desse momento, os FPSOs passaram a ganhar espaço e rapidamente se conso- lidaram como solução dominante para o desenvolvimento offshore.
evolução dos FPSOs ao longo das últimas décadas revela uma transformação profunda na
Com o avanço tecnológico, os FPSOs deixaram de ser sistemas simples para se tornarem instalações industriais altamente complexas. Hoje, essas unidades integram diversas funções — produção, processa- mento, armazenamento e transferência — em um único sistema flutuante. “Saímos de soluções simples para sistemas industriais extremamente sofisticados e interdepen-
indústria offshore, marcada por aprendiza- dos operacionais, avanços tecnológicos e mudanças de paradigma na gestão de riscos. Esse foi o eixo da apresentação de Carlos Mastrangelo, engenheiro e closing keyno- te do primeiro dia , que resgatou a trajetória dessas unidades e destacou os principais desafios e tendências para o futuro. Segundo o especialista, a história dos FPSOs pode ser entendida como uma jornada que começa com desconfiança e culmina em protagonismo absoluto no desenvolvimen- to offshore. “O que antes era visto como o ‘patinho feio’ da indústria se tornou o ‘cisne’ da energia offshore”, afirmou Mastrange- lo, único brasileiro no board da Offshore Conference Technology (OTC), que realiza o maior evento desse setor no mundo. Ele lembra que nos primeiros anos, os FPSOs eram utilizados de forma limitada, principalmente em testes de produção e campos marginais. O conceito ainda não era totalmente compreendido e enfrentava resistência dentro da própria indústria.
Gestão de riscos e lições aprendidas
Um dos temas centrais da apresentação foi a necessidade de transformar aprendizado em ação prática. Segundo Mastrangelo, a indústria offshore acumula décadas de expe- riência, mas nem sempre consegue traduzir esse conhecimento em mudanças efetivas de comportamento. “Lições aprendidas sem mudança de comportamento são apenas erros arquiva- dos”, destacou. E alertou para um problema recorrente: a baixa percepção de risco. Em um ambiente altamente complexo, subes- timar riscos pode ser tão perigoso quanto não identificá-los. “Baixa percepção de risco é, por si só, um risco”, afirmou. Outro ponto relevante é que a busca por maior flexi- bilidade operacional nem sempre resulta em ganhos de eficiência. Em muitos casos, aumenta custos, complexidade e exposição a falhas.
A digitalização e a automação foram apontadas como vetores importantes de
Foto: Divulgação
58
59
REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
Made with FlippingBook Ebook Creator