Revista digital Oil&Gas Brasil Nº 76_Edição Especial FPSO E…

CONGRESSO

ressaltado que fatores políticos, regulatórios e macroeconômicos ainda representem desafios importantes para o país. A palestra também abordou a mudança de postura das grandes petroleiras internacionais em relação aos investimentos em upstream. Segundo Daniel, empresas globais voltaram a ampliar investimentos em exploração e produção após perceberem que a transi- ção energética não eliminará rapidamente a necessidade de petróleo e gás competitivos e seguros. O executivo ressaltou ainda que o mercado offshore enfrenta novos desafios relacionados à capacidade industrial global. Segundo ele, o aumento simultâneo de projetos offshore, restrições logísticas e pressões sobre cadeias de suprimentos podem gerar inflação de custos, gargalos de engenharia e pressão sobre estaleiros e fornecedores nos próximos anos. Daniel também chamou atenção para a crescente complexidade tecnológica dos FPSOs atuais. Segundo ele, as novas unidades precisam processar volumes maiores de gás, remover CO₂, operar com menor intensidade de emissões e atender requisitos cada vez mais rigorosos de eficiência operacional e ambiental. Ao concluir a apresentação, o executivo afirmou que o Brasil continuará sendo um dos principais polos globais da indústria offshore nas próximas décadas. Para ele, além da abertura de novas fronteiras exploratórias, o país possui enorme potencial para ampliar o fator de recuperação dos campos já existen- tes, criando novas reservas e prolongando a relevância estratégica do pré-sal brasileiro.

América Latina lidera nova onda global de FPSOs

A palestra também destacou a relevância crescente do offshore ultra deepwater no cenário energético global. Daniel ressaltou que a produção em águas ultraprofundas vem aumentando participação no mercado internacional e deverá continuar crescen- do, especialmente em regiões como Brasil, Guiana, Suriname e África. Segundo o executivo, o Brasil ocupa posição central nesse movimento. Atualmente, o país concentra a maior parte da produção offshore ultra deepwater da América Latina e segue como principal destino global de investimen- tos em FPSOs. Daniel apresentou projeções indicando que o Brasil deverá liderar a contratação global de FPSOs nos próximos anos, com previsão de pelo menos 11 novas unidades na cartei- ra de projetos, das quais apenas parte já foi contratada até o momento. O executivo destacou ainda que o mercado mundial deverá demandar, em média, entre oito e doze novos FPSOs por ano ao longo da próxima década para sustentar o crescimento da produção offshore global. Segundo ele, trata-se de um mercado saudável e de longo prazo para operadores, estaleiros, empresas de engenharia e cadeia de suprimentos.

crescimento da demanda global por FPSOs e o papel estratégico da Amé- rica Latina no futuro da produção

offshore foram tema da palestra de Daniel Leppert, Vice-Presidente Sênior e Head para América Latina da Rystad Energy , du- rante a FPSO Expo. O executivo apresentou um amplo panorama sobre oferta e demanda global de petróleo, investimentos em upstream, novas fronteiras exploratórias e perspecti- vas para o mercado de FPSOs nas próximas décadas. Segundo Daniel, a América Latina se conso- lidou como uma das regiões mais estratégi- cas do mundo para expansão da produção offshore, impulsionada principalmente pelo pré-sal brasileiro, pela Guiana e pelo avanço de novas fronteiras exploratórias no Caribe e na América do Sul. O executivo destacou que, diante das incerte- zas geopolíticas globais e da necessidade de fontes confiáveis de energia, a região passou a ser vista pelo mercado internacional como fornecedora segura de petróleo e gás de baixa emissão relativa e alta competitividade econômica. Durante a apresentação, Daniel afirmou que os preços internacionais do petróleo seguem sustentados por fatores geopolíticos e pelo aumento da demanda energética glo- bal. Segundo ele, mesmo com perspectivas

Foto: Divulgação

futuras de sobreoferta em determinados períodos, o mercado continuará demandando grandes volumes de novos investimentos em produção offshore nas próximas décadas.

Investimentos contínuos

O executivo explicou que o declínio natural dos campos atualmente em produção exigirá desenvolvimento contínuo de novos poços, novos projetos e novas descobertas. Segundo estimativas apresentadas pela Rystad Energy, o mundo precisará adicionar aproximada- mente 76 milhões de barris por dia em novos projetos para equilibrar oferta e demanda ao longo das próximas décadas.

Novas fronteiras

Outro ponto relevante da apresentação foi o avanço das novas fronteiras explorató- rias na América do Sul. Daniel mencionou o crescimento da Guiana, do Suriname e o potencial da Venezuela, embora tenha

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