Revista digital Oil & Gas Brasil Nº 75

COLUNISTA

Roberto Silva Roberto Silva é engenheiro, foi Superintendente de Portos e Superintendente da Indústria Naval em Secretaria de Estado no Rio de Janeiro, foi gerente geral (CEO) de consórcio responsável pelo contrato de eng., construção e montagem de 7 FPSOs.

Esse movimento, embora essencial, convive com uma contradição relevante:

Ainda assim, em muitos casos, não é tratado como ativo prioritário.

enquanto se busca produzir mais, parte significativa da energia já produzida conti- nua sendo perdida ao longo da operação.

Por quê?

Porque historicamente foi classificado como subproduto — e não como vetor de valor.

Em termos globais, estima-se que cerca de:

Essa classificação, hoje, se mostra limitada.

• 140 a 150 bilhões de m³ de gás são queimados anualmente • representando algo entre US$ 50 e 80 bilhões em valor energético

Existe um ativo invisível sendo desperdiçado — e ele pode acelerar resultados na indústria de óleo e gás

Tempo e capital: a vantagem ignorada

Projetos de E&P são, por natureza: • intensivos em capital • complexos • e de longo ciclo de maturação

No Brasil, mesmo em escala menor, o impacto é significativo:

cerca de 4 a 6 bilhões de m³ por ano com potencial econômico na ordem

• •

Já o melhor aproveitamento do gás existen- te pode, em diversos casos:

de US$ 1 a 3 bilhões anuais

existe um ativo invisível sendo sistematica- mente desperdiçado — e ele pode valer bilhões, além de reduzir tempo e custo para atingir os mesmos objetivos de geração de valor.

indústria de óleo e gás tem, de forma consistente, direcionado investimentos relevantes para atividades de exploração e produção (E&P). Trata-se de um movimento natural — e, em grande medida, correto — diante da neces- sidade de reposição de reservas, aumento de produção e atendimento à demanda energética global. No entanto, há um ponto que permanece à margem dessa agenda principal e que merece atenção mais estratégica:

• demandar investimentos significativamen- te menores • apresentar prazos de implementação mais curtos • gerar retorno mais rápido Ou seja: não se trata de substituir investimentos em E&P, mas de complementar a estraté- gia com iniciativas de maior eficiência e menor tempo de resposta.

Esses números não são marginais. Eles representam uma oportunidade energéti- ca já disponível — porém subutilizada.

O ativo invisível

Esse ativo é o gás natural não aproveitado.

Diferentemente de um novo campo, o gás associado já está presente no sistema pro- dutivo. Ele não exige: • novas campanhas exploratórias • risco geológico adicional • longos ciclos de desenvolvimento

Investir mais ou aproveitar melhor?

A lógica predominante no setor ainda está fortemente orientada à expansão: • novos campos • novas fronteiras exploratórias • aumento de capacidade produtiva

Em um cenário de disciplina de capital, essa diferença é relevante.

30

31

REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL

REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL

Made with FlippingBook Ebook Creator