ROYALTIES
de moradores e envolve mais de 11 mil estabe- lecimentos cadastrados, criando uma economia paralela que reforça o comércio da própria cidade. Durante a pandemia, o volume distribuído chegou a aumentar, ampliando ainda mais esse efeito. Crescimento que aparece nos números e nas ruas A transformação de Maricá não é apenas fiscal. Ela é física. A cidade viu sua população crescer rapidamente, impulsionada pela combinação de políticas públicas, custo de vida relativamente mais baixo que a capital e melhoria de serviços.
Isso coloca a cidade diante de um dilema clássico: como transformar uma renda finita — e volátil — em desenvolvimento sustentável? A resposta ainda está em construção.
Esse crescimento trouxe expansão imobiliária, aumento da atividade econômica e diversificação de serviços. Ao mesmo tempo, a prefeitura pas- sou a investir em áreas como educação, cultura, mobilidade e inovação — muitas vezes usando os royalties como base de financiamento. O resul- tado é uma cidade que mudou de escala. Mas há uma variável central: dependência. Por trás do modelo, existe uma questão estrutural. A economia de Maricá segue profundamente dependente dos royalties do petróleo. Estudos acadêmicos apontam essa dependência como um dos principais riscos de médio e longo prazo para o município.
O desafio estrutural
• Forte dependência dos royalties • Receita atrelada ao preço do petróleo • Risco de queda futura de arrecadação • Necessidade de diversificação econômica • Entre modelo e laboratório Maricá virou referência e objeto de debate. Para alguns urbanistas, é um caso bem-sucedido de uso de royalties para melhorar qualidade de vida e dinamizar a economia local. Para outros, o mo- delo levanta dúvidas sobre sustentabilidade fiscal no longo prazo. As duas leituras coexistem. E talvez seja isso que torna a cidade interessante. Uma cidade que de- cidiu testar seus próprios limites. O que Maricá fez não foi apenas crescer com o petróleo. Foi usar essa renda para experimentar um modelo de cidade. Transporte gratuito, moeda própria, forte investimento social — tudo financiado por uma fonte que, por definição, não é permanente. O resultado, por enquanto, é visível: crescimento acelerado, melhora de indicadores e uma identi- dade própria que a diferencia de outras cidades da região. Mas a questão que paira não é sobre o presente. É sobre o que vem depois. Quando o petróleo deixar de sustentar o ritmo, a cidade estará preparada.
Foto: Divulgação
Tarifa Zero em números
• Implantação: 2014 • Cerca de 115 mil embarques diários • Economia de R$ 16 milhões por mês para a população
• 49 linhas conectando toda a cidade • Sistema operado por empresa pública
A Mumbuca: dinheiro que não sai da cidade
Se o transporte gratuito reduz custos, a moeda social tenta resolver outro problema: retenção de riqueza. Criada também em 2014, a Mumbuca funciona como uma moeda digital atrelada ao real — 1 para 1 — utilizada em programas de transferência de renda. O diferencial está na regra: o dinheiro não pode ser sacado, apenas gasto no comércio local.
O resultado é um circuito econômico fechado. Hoje, o programa beneficia dezenas de milhares
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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