Revista digital Oil & Gas Brasil Nº 75

ENTREVISTA

O&GB: Quais embarcações offshore já utilizaram a tecnologia? LG : Cerca de 60 embarcações offshore já utilizam o sistema BioRen, incluindo FPSOs, AHTS, PSV, flotel, drilling rigs e PLSVs. O&GB: Qual a expectativa para uso em FPSOs e outras unidades que chegam ao Brasil? LG : Já assinamos contrato com um ope- rador de FPSO para proteção dos filtros das caixas de mar. Também iniciamos tratativas com empresas que trarão novos FPSOs ao Brasil, visando proteção desde o início da operação. A tecnologia é versátil, e buscamos expandir para aplicações como bocas de sino e gra- des externas de caixas de mar. O&GB: E com operadoras de óleo e gás? LG : Firmamos contrato com a Petrobras para testar a solução antifouling em um na- vio-sonda. O teste, via plataforma CPSI, terá duração de um ano e avaliará a eficiência contra o coral-sol. O&GB: Há certificações adicionais neces- sárias no Brasil? LG : Ainda não há regulamentação para emissões eletromagnéticas em ambiente aquático. O CEPEL testou e validou o equipa- mento para uso interno. A energia injetada no casco é mais de cem vezes menor que a de sistemas ICCP.

O&GB: Como a BioRen garante ausência de efeitos adversos sobre fauna sensível? LG : A maioria dos ativos é móvel, reduzin- do interferências contínuas. Nunca houve registro de efeitos adversos, e a certifica- ção DNV confirma a segurança ambiental e operacional. O&GB: Existem planos de expansão inter- nacional? LG : Sim. Estamos avaliando o mercado global e buscando parcerias. O Brasil repre- senta menos de 1% do mercado mundial, e esse é um problema global.

O&GB: Houve avaliação de efeitos colaterais em outras espécies marinhas ou parâmetros ambientais locais? LG : Não diretamente, apenas os monitora- mentos obrigatórios da sonda, aos quais não tivemos acesso. Nunca recebemos qualquer notificação sobre efeitos adversos, incluindo impactos em outras espécies ou parâmetros ambientais. Em agosto de 2025, o sistema foi reconhecido pela DNV como tecnologia comprovada em operação real, recebendo o certificado Statement of Qualified Tech- nology, que atesta ausência de impactos negativos ao ecossistema marinho. O&GB: Como é feita a instalação? Há necessidade de docagem? Quais são os requisitos de manutenção? LG : A instalação pode ser feita em doca- gem ou em operação. O trabalho envolve lançamento de cabos, solda dos pontos de conexão e fixação do painel. O tempo varia conforme a complexidade do casco. A manutenção inclui checagem mensal via Monthly Log Report, monitoramento contínuo pelo sistema supervisório e revisão a cada docagem. A vida útil é indetermina- da, desde que as revisões sejam mantidas. O&GB: O sistema requer energia dedica- da? Qual é o consumo típico? LG : O sistema utiliza um disjuntor sobres- salente do quadro de distribuição da embar-

Foto: Divulgação

cação. Cada equipamento consome apenas 100 W. O&GB: Como foi a validação pela DNV? LG : O processo seguiu o Technology Qualification Program. A tecnologia foi qua- lificada de forma ampla para cascos e áreas de nicho, como caixas de mar, filtros e box coolers. A comprovação de eficácia foi uma das etapas obrigatórias.

Foto: Divulgação

64

65

REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL

REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL

Made with FlippingBook Ebook Creator