Revista digital Oil & Gas Brasil Nº 75

ARTIGO III

China consolida hegemonia global na construção naval mercante Política industrial contínua, escala produtiva e financiamento estatal colocam o país no centro da frota mercante mundial

Financiamento e previsibilidade como diferenciais decisivos

elevada capacidade técnica, especialmente na construção de navios de grande porte.

Executivos do setor e armadores interna- cionais frequentemente destacam que o diferencial competitivo da China vai além do custo de produção. A previsibilidade das políticas públicas e o acesso a linhas de financiamento competitivas são fatores determinantes na decisão de encomenda.

No sul, o Delta do Rio das Pérolas, na província de Guangdong, completa o mapa industrial da construção naval chinesa, beneficiando-se da proximidade com rotas marítimas internacionais e importantes centros exportadores asiáticos (OECD, 2024; UNCTAD, 2023).

LEANDRO DE CARVALHO HENRIQUE MESTRANDO EM ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS PELO IBMEC RIO HEAD DE TESOURARIA NA CAMORIM SERVIÇOS MARÍTIMOS

Clusters regionais como base da competitividade

indústria naval mercante chine- sa está estruturada em grandes clusters industriais distribuídos ao

ecossistema integrado que reduz custos logís- ticos, acelera prazos e eleva a produtividade (Stopford, 2009; Baldwin, 2016). O principal polo está localizado no Delta do Rio Yangtzé, abrangendo Xangai e as provín- cias de Jiangsu e Zhejiang. A região abriga alguns dos maiores estaleiros do mundo e responde por parcela significativa da produ- ção global de navios mercantes. A proximidade com o sistema financeiro chinês e com grandes portos exportadores confere vantagens competitivas estruturais. Outro polo relevante é a Região do Anel de Bohai, no norte do país, que inclui as provín- cias de Liaoning, Hebei e Shandong, além do município de Tianjin.

longo da costa marítima e de rios navegá- veis estratégicos. Esses polos concentram estaleiros, siderúrgicas, fornecedores de equipamentos, centros de engenha- ria e infraestrutura portuária, criando um

Foto: Divulgação

A política industrial chinesa, alinhada a programas estruturantes como o Made in China 2025, reforça o caráter estratégico da indústria naval dentro do planejamento econômico nacional, garantindo continuida- de de investimentos, estabilidade regulatória e coordenação entre indústria, logística e sistema financeiro (State Council of China, 2015; Naughton, 2021).

Bancos estatais chineses e agências de crédito à exportação acompanham de forma recorrente os contratos de construção naval, oferecendo condições financeiras atrativas aos armadores. Em um setor intensivo em capital e com ciclos longos de produção, esse suporte financeiro tornou-se elemento central de competitividade (OECD, 2023).

Estaleiros em cidades como Dalian e Qingdao possuem tradição histórica e

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