ARTIGO III
Conclusão
A ascensão da China à liderança mundial na construção naval mercante é resulta- do de uma política de Estado baseada em organização, disciplina e planejamento de longo prazo. A continuidade das diretrizes estratégicas, aliada à coordenação entre governo, setor financeiro e indústria, permi- tiu ao país construir vantagens competitivas sustentáveis e consolidar sua posição no comércio marítimo internacional. Mais do que um caso de sucesso indus- trial, a experiência chinesa constitui uma referência para economias emergentes que buscam fortalecer setores estratégicos. Nesse contexto, o Brasil possui uma oportunidade singular de aprendizado. A adoção de políticas industriais estáveis, previsíveis e integradas pode contribuir para o desen- volvimento da indústria naval e para a ampliação da competitividade nacional. Aprender com a China significa compreen- der que crescimento econômico sustentável não é fruto do acaso, mas do planejamen- to consistente e da execução disciplinada. Para que o país alcance novos patamares de desenvolvimento, torna-se essencial incorporar, com celeridade, uma visão estratégica de longo prazo que alinhe financiamento, inovação e política industrial.
Foto: Divulgação
Efeitos sobre o comércio marítimo global
Um modelo de difícil replicação
Com a maior parte da frota mercante que entra em operação sendo construída em estaleiros chineses, o país passou a ocupar posição central não apenas na manufatu- ra global, mas também na infraestrutura física do comércio internacional. Na prática, parcela significativa do transporte marítimo que sustenta as cadeias globais de suprimento tem origem industrial na China (UNCTAD, 2023). Em segmentos como graneleiros e porta-contêineres, a participação chinesa supera isoladamente a soma de diversos países concorrentes, resultando em um nível de concentração raramente observado na história da indústria naval mercante (Clarksons Research, 2024).
Analistas avaliam que o modelo chinês de construção naval mercante é de difícil replicação nos curto e médio prazos. A combinação entre escala produtiva, integração industrial regional, domínio tecno- lógico e apoio financeiro estatal cria barreiras significativas à entrada de novos competido- res globais (OECD, 2024). Enquanto outras economias buscam nichos específicos ou atendem prioritariamente a demandas domésticas, a China opera como uma plataforma global de produção naval, reforçando seu papel estratégico na economia marítima internacional e ampliando sua influência sobre os fluxos do comércio global.
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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