CONGRESSO
Os desafios do descomissionamento de plataformas offshore
Uma cadeia industrial que precisa nascer
de desmantelamento. Sem ele, plataformas brasileiras podem ser recusadas por estalei- ros estrangeiros, especialmente em países signatários da Convenção da Basileia.
Os especialistas convidados reforçaram que o Brasil precisa desenvolver rapidamente uma cadeia completa de descomissiona- mento, incluindo: • logística portuária especializada • áreas de armazenamento e triagem • serviços de limpeza industrial • unidades de reciclagem e reaproveitamen- to de aço • soluções de gestão ambiental • certificação e rastreabilidade internacional Empresas como a Gerdau e a IKM Testing Brasil já se movimentam para ocupar esse espaço, enquanto a American Bureau of Shipping (ABS) destacou a importância de padrões internacionais para garantir segurança e conformidade.
Temos escala, temos demanda e te- mos capacidade industrial — o que falta é transformar isso em política pública coordenada”, afirmou. Ele reforçou que o Porto do Açu já se posiciona como um dos hubs naturais para essa nova cadeia produtiva: “Estamos prepa- rados para receber, tratar e apoiar operações complexas. Mas o país precisa caminhar junto, com regras claras e previsibilidade”. O debate dialogou com discussões anterio- res do Congresso, especialmente sobre a necessidade de segurança jurídica, regula- ção técnica atualizada e integração entre órgãos federais — entre eles a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocom- bustíveis (ANP), a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Marinha do Brasil. A falta de alinhamento entre essas institui- ções ainda é vista como um dos principais entraves ao avanço da cadeia de descomis- sionamento.
Foto: Divulgação
Regulação do NORM e o papel do IHM
abertura do terceiro dia do FPSO Expo deixou claro que o descomissionamento offshore é
Vinicius Patel
hoje uma das agendas mais estratégicas da indústria de óleo e gás. Coube a Vinicius Patel, diretor administrativo do Porto do Açu , conduzir o painel “Challenges of Platforms Decommissioning” (Desafios do Descomissionamento de Plataformas), reunindo Alexandre Vilanova (IKM Testing Brasil), André Guardin (Gerdau) e Rafael Torres (American Bureau of Shipping – ABS). Logo na abertura, Patel destacou a urgência do tema: “O Brasil não pode perder a janela de oportunidade que o descomissionamento representa.
Foto: Divulgação
Outro ponto crítico foi a gestão do NORM (Naturally Occurring Radioactive Mate- rial). A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) destacou que a Resolução nº 14/2026 trouxe avanços ao permitir a remoção controlada de materiais radioati- vos das plataformas, mas ainda há desafios operacionais para adequar a norma à realidade do setor de óleo e gás. Também ganhou destaque o IHM (Inven- tory of Hazardous Materials), documento obrigatório para operações internacionais
Ao final, Vinicius Patel reforçou a mensagem central do painel: “O descomissionamen- to não é um problema — é uma indústria inteira esperando para nascer no Brasil. Mas, se não houver coordenação entre governo, reguladores e empresas, vamos continuar exportando oportunidades”. A mesa deixou claro que há competência técnica, interesse empresarial e escala de projetos. O que falta, agora, é transformar esse potencial em ambiente regulatório estável e política pública consistente.
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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