Revista digital Oil&Gas Brasil Nº 76_Edição Especial FPSO E…

CONGRESSO

Portfólio e prioridades exploratórias

A empresa também enfatiza a importância de parcerias tecnológicas e de fornecedo- res globais para enfrentar a complexidade crescente dos projetos.

projetos de revitalização (REVIT), otimização de reservatórios e perfurações complemen- tares. A padronização de projetos, segundo Lourenço, busca replicar soluções técnicas entre unidades para reduzir riscos, acelerar execução e gerar previsibilidade operacional. No plano industrial, o programa “Mar Aberto” aparece como vetor logístico e de conteúdo local: renovação da frota de apoio, construção de embarcações e estímulo à indústria naval brasileira são apresentados como essenciais para garantir cronogramas e fortalecer fornecedores nacionais, com impacto direto na geração de empregos e no desenvolvimento de fornecedores de módulos e serviços.

Vantagem competitiva

A carteira de investimentos anunciada na apresentação soma cerca de US$ 109 bilhões para o período do plano, com fatias destina- das a exploração & produção, refino e ener- gias de baixo carbono. A Margem Equatorial foi destacada como prioridade exploratória, recebendo cerca de 37% do orçamento de exploração previsto para os próximos anos — uma aposta na reposição de reservas e na diversificação do portfólio. No horizonte de projetos, a Petrobras lista uma série de FPSOs e complementares para o campo de Búzios e outras áreas do pré sal, além de iniciativas onshore e em margens pós sal.

A Petrobras tem buscado transformar eficiência operacional em vantagem com- petitiva. “A Petrobras opera atualmente com média de aproximadamente 21 kg de CO₂ por barril”, frisa Lustosa. Índice que, segun- do ele, é inferior ao observado em muitos mercados internacionais; em campos como Búzios e Tupi, as emissões chegam a cerca de 10 kg CO₂ por barril. Além disso, a empresa reporta avanços em utilização de gás associado, o AGUI (Índice de Utilização do Gás Associado, ou seja a percentagem do gás associado que é efeti- vamente aproveitado em vez de queimado ou liberado. ) atingiu 97,7% em 2025. Destacou também os ganhos com projetos de CCUS (Carbon Capture, Utilization and Storage): 19,6 milhões de toneladas de CO₂ reinjetadas no mesmo ano, posicionando a Petrobras entre as companhias de óleo e gás com menor intensidade de carbono por barril produzido. Esses números sustentam a perspectiva de que é possível conciliar expansão da produção com compromissos de descarbo- nização rumo à neutralidade operacional até 2050.

Riscos e ganhos

Analistas e players do setor devem acompa- nhar três vetores principais:

• Execução e cronograma — a capacidade de manter entregas dentro do prazo será determi- nante para materializar as economias de escala e as reduções de Capex anunciadas. • Conteúdo local e cadeia naval — o fortalecimentodaindústrianacionalpodereduzir custos e prazos, mas depende de investimen- tos e de um ambiente regulatório estável. • Descarbonização e tecnologia — a continuidade dos projetos de CCUS, eficiên- cia energética e reinjeção de CO₂ será crucial para sustentar a vantagem competitiva em intensidade de carbono. A Petrobras aposta que a combinação de padronização, novos modelos contratuais e investimentos em tecnologia permitirá não apenas ampliar a produção, mas fazê lo com menor intensidade de carbono e maior previsibilidade econômica. “Nossa ambição é clara: ampliar a produção offshore enquanto reduzimos a intensida- de de carbono — tecnologia, reinjeção de CO₂ e eficiência energética são pilares dessa trajetória”, conclui Lourenço Lustosa Fróes.

Revitalização, padronização e cadeia nacional

A estratégia não se limita a novas unidades: há um esforço explícito para estender a vida útil de campos maduros por meio de

66

67

REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL

REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL

Made with FlippingBook Ebook Creator